Andando com Deus no dia a dia - Pr. Nigel Martes
Publicado em 16/09/2024
Sobre esta mensagem
A pregação desta semana nos convida a uma profunda reflexão sobre a vida de um dos maiores profetas do Antigo Testamento, Elias. Lendo 1 Reis 17, somos apresentados a um homem de fé extraordinária, cuja história é marcada por milagres impressionantes: desde ser alimentado por corvos e multiplicar a farinha e o azeite de uma viúva, até ressuscitar seu filho. Contudo, o ponto central da mensagem é a verdade revelada em Tiago 5:17: "Elias era humano como nós."
Esta afirmação é crucial porque, muitas vezes, tendemos a colocar os grandes personagens bíblicos em uma categoria tão distante que nos desanimamos em seguir seus passos. A mensagem, porém, nos desafia a olhar para Elias não como um "semideus", mas como um ser humano que, assim como nós, enfrentou desafios e tentações, mas viveu uma vida que glorificou a Deus. As lições de sua vida anônima, antes de seu grande confronto público no Monte Carmelo, são fundamentais para a nossa própria jornada de fé.
Credenciais que Edificam
A Bíblia nos apresenta Elias abruptamente em 1 Reis 17, sem genealogia ou detalhes sobre sua família, que não era nobre nem conhecida. Ele não vinha de uma cidade importante – Tisbe, sua terra natal, permanece até hoje um mistério geográfico. Elias não possuía "costas quentes" ou influência política. Suas credenciais não eram terrenas, mas divinas.
A verdadeira credencial de Elias, e que deve ser a nossa, era o seu relacionamento íntimo com Deus. Ele se apresenta ao rei Acabe dizendo: "Tão certo como vive o Senhor, o Deus de Israel, a quem sirvo, não cairá orvalho nem chuva nos anos seguintes, exceto mediante a minha palavra." Essa ousadia vinha de uma vida pessoal e profunda com o Altíssimo. A maior honra que podemos aspirar é ser reconhecidos, como a viúva de Sarepta reconheceu Elias, como "um homem de Deus" e ter a certeza de que "a palavra do Senhor que vem da tua boca é verdade". Nosso evangelho precisa ser verdade em nossa vida, não apenas em nossos lábios, ecoando um relacionamento genuíno com Jesus, diferente da tentativa dos filhos de Ceva em Atos 19 que não conheciam a verdade da Palavra na prática.
Ousadia no Posicionamento
Elias viveu em tempos de grande apostasia sob o reinado de Acabe, o pior rei de Israel, e sua esposa Jezabel. Esta rainha ímpia perseguiu os profetas de Deus e introduziu o culto a Baal e Aserá em Israel, promovendo a idolatria e a imoralidade sexual. Nesse contexto hostil, ser um profeta de Deus e se posicionar contra as práticas da corte era arriscar a própria vida.
A atitude de Elias ao declarar a seca, desafiando o deus da chuva (Baal), foi um ato de posicionamento inabalável. Ele escolheu firmar suas convicções, declarar sua fé e confirmar seu serviço a Deus, mesmo sentindo-se sozinho. Esta é uma lição vital para nós hoje: em meio aos confrontos culturais, ideológicos e espirituais, precisamos nos posicionar firmemente em nossa fé em Cristo. O fato de muitos se desviarem ou aceitarem o erro não o torna certo, nem a verdade se torna falsa pela ausência de seguidores. Nosso posicionamento em Deus deve permanecer inabalável, independentemente das circunstâncias externas.
O Poder da Oração
Apesar de todos os milagres que realizou, Elias não era um homem poderoso em si mesmo. Ele não tinha poder para parar a chuva, multiplicar alimentos ou ressuscitar mortos. O "segredo" de Elias, como nos lembra Tiago, é que ele era um homem de oração. O que fez a diferença em sua vida foi sua capacidade de chegar diante de Deus em súplica, mesmo por milagres inéditos como a ressurreição do filho da viúva.
Muitas coisas em nossa vida deixam de acontecer porque não as apresentamos a Deus em oração. Orar é convidar a Deus para participar de cada esfera de nossa existência: no trabalho, nos relacionamentos, nas finanças, na criação dos filhos, nos planos para o futuro. Como Provérbios 16:3 nos ensina: "Consagre ao Senhor tudo o que você faz, e os seus planos serão bem-sucedidos." A oração não deve ser restrita às quatro paredes da igreja ou a momentos "religiosos"; ela deve permear toda a nossa vida, santificando cada área. Elias orou pelas coisas grandes, como fogo do céu, e pelas coisas íntimas e pessoais, como a vida de um menino. Que possamos aprender com ele a apresentar a Deus cada detalhe da nossa vida, pois a oração de um justo é poderosa e eficaz, capaz de mover o coração de Deus e trazer à existência o que parecia impossível.
